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RIO S.FRANCISCO

Trilhas na Serra
A existência de pinturas rupestres na extremidade norte das serras que integram o sistema da Chapada Diamantina, onde ficam os municípios de Juazeiro, Sobradinho, Campo Formoso e Sento Sé - noroeste do Estado - tem motivado o desenvolvimento do ecoturismo na região e gerou um movimento intermunicipal em torno da criação de um Parque Nacional - somente em Juazeiro deverá se estender por uma área de 100 hectares - visando à preservação ambiental e dos sítios arqueológicos.
 As pinturas rupestres existentes entre as Serras da Cruz e do Mulato, em Juazeiro, foram descobertas em 1989 por um grupo de estudantes e mantidas em segredo até então, visando à preservação para estudos científicos. "Estes desenhos formam painéis em seqüência, numa espécie de história em quadrinhos em um "canyon" com mais de três quilômetros de extensão. À proporção que avançam para dentro do vale, evoluem e tomam formas diferentes".
A comunidade estudantil de Juazeiro, ecologistas e representantes da Upagro - Unidade de Planejamento Agropecuário, entidade local mantida pela Visão Mundial, uma organização não governamental com sede na Inglaterra - são pioneiros na organização de incursões e caminhadas por trilhas nas serras. Estes passeios só são recomendados para quem realmente gosta de aventura e tem consciência ecológica.
É preciso lembrar de levar água mineral e um lanche leve, pois qualquer uma dessas investidas entre caatinga e cerrado não dura menos que um dia. As roupas devem ser leves e o calçado confortável, tipo tênis ou botas. Mesmo bem informado, é preciso contratar o serviço de um guia nativo, facilmente encontrado entre os criadores de cabra da região.
Serra do Mulato
Azulada e de perfil entrecortado, é o ponto de partida para uma série de aventuras. Uma clareira no Olho D´Água das Fruteiras, onde há mangueiras centenárias, pés de fruta-pão, jaca, juá, pinha e umbu, é o local perfeito para acampar em um final de semana prolongado. Fica a uma distância de 50 quilômetros de Juazeiro, pela BA-210, que liga os municípios de Juazeiro e Sobradinho. Na altura do quilômetro 22 há uma entrada à esquerda na direção do distrito de Junco, em estrada carroçável. Chega-se de carro até este acampamento ao pé da serra e, daí por diante, começa a caminhada.
A subida é íngreme e pedregosa, a parte mais difícil da trilha de 2,5 Km, que leva até o primeiro painel de pinturas de uma tribo ainda não identificada. À medida que se sobe a serra, a paisagem se descortina, há uma explosão de cores, cheiros e sons. Depois da chuva, a vegetação está verde e desabrocha em mil tons. O cheiro da terra molhada se mistura ao das folhas de malva, alecrim e umburana de cheiro. O guia aponta para o buraco de um tatu que acabou de se esconder e pede silêncio para distinguir o canto de pássaros como cancão de fogo, sofrê e sabiá da terra.
A entrada do "canyon" é deslumbrante e dá uma idéia do que é a biodiversidade local. Altas muralhas de pedras, construídas pacientemente pela natureza, compõem o cenário. A vegetação é um misto de caatinga e cerrado, densa por estar em cadeia de montanhas, clima e solo propício, e exposta a considerável precipitação pluviométrica. O ecologista Cursino Neto informa que a região é habitada por aves e animais raros, inclusive espécies em extinção como o tamanduá-bandeira, urubu-rei e o gavião-chileno, além do gato-marisco e muitos outros felinos. Ele continua explicando que a área onde, acredita-se, os autores das pinturas tenham vivido, é toda cercada por muralhas de pedras, construídas pelos próprios índios, que se instalavam sempre perto de olhos d´água dentro do vale, em meio aos chapadões.
Depois de atravessar a entrada do "canyon" e transpor riachos entre cactus e mandacarus, surgem os paredões de rocha, com seus desenhos classificados como do tipo caatinga, mas que bem poderiam estar entre modernos quadros de pintura abstrata. O cenário é mais que perfeito. Um olho d´água brota entre pedras formando uma cascata em meio a uma vegetação densa, compondo um cinturão verde como a proteger as pinturas rupestres.

Crédito: www.visiteabahia.com.br  

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 Vale do Rio Salitre

Pelo menos três passeios ecológicos neste afluente do Rio São Francisco são obrigatórios para os amantes da natureza.
As cachoeiras do Salitre, da Gameleira e a Gruta do Convento oferecem prazeres inusitados que merecem ser desfrutados em pelo menos um dia inteiro.
O roteiro deve começar cedo, pela mesma rodovia na BA-210 que liga Juazeiro a Sobradinho, até o distrito de Junco, em estrada carroçável, em bom estado de conservação. A primeira parada é na Fazenda Félix, onde está a Cachoeira do Salitre, um salto de aproximadamente dois metros de altura, entre pedras, formando um lago raso, excelente para banho, inclusive de crianças.
A Cachoeira do Salitre é formada pelo rio do mesmo nome e fica a cerca de 39 quilômetros de Juazeiro.
Seguindo a mesma estrada, depois das localidades de Juá e Goiabeira, a 68 quilômetros de Juazeiro, fica a Passagem do Sargento. Entre a vegetação fechada da caatinga está escondida a deslumbrante Cachoeira da Gameleira, também formada pelo Rio Salitre. A queda d´água escorre entre um "canyon", em um cenário paradisíaco, onde predomina uma enorme gameleira, cujas raízes se espalham por sobre um lajedo, fazendo sombra em parte da cachoeira.
O lago que se forma a seguir é fundo e permite saltos, do alto de uma ponta do "canyon", a uma altura aproximada de cinco metros. 

 

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